Antropólogo defende manutenção de área demarcada na Raposa Serra do Sol

Fonte: Supremo Tribunal Federal
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O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, ouviu hoje (23) do presidente da Associação Brasileira de Antropologia (ABA), Luiz Roberto Cardoso de Oliveira, ponderações sobre os direitos de cerca de 14 mil índios que vivem na reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima.  Atualmente, a área de 1,7 milhão de hectares está demarcada segundo um decreto presidencial de 2005.

Luís Oliveira defendeu, no STF, o laudo antropológico produzido pela Fundação Nacional do Índio (Funai) sobre a ocupação da área – documento que, segundo lideranças de pecuaristas e arrozeiros, teria trechos equivocados.  “Esse laudo de referência respeita a Constituição de 1988, segundo a qual o processo de integração das populações indígenas no Brasil deixa de supor a assimilação da cultura brasileira pelos índios em detrimento das suas próprias características étnicas”, afirmou.

Segundo ele, os povos Macuxi, Wapixana, Ingarikó, Taurepang e Patamona devem ter espaço suficiente para suas atividades e para o crescimento demográfico.  “Para eles se reproduzirem, precisam de um território razoavelmente grande, pois os grupos indígenas, à medida que crescem, entram em conflito interno e uma parte se muda da aldeia de origem para criar uma outra”, explicou o presidente da ABA.

As áreas mais visadas por quem quer diminuir a dimensão do espaço são os municípios de Pacaraima, Normandia e Uiramutã, além de uma faixa de 15 quilômetros na fronteira.  Luís Oliveira criticou a demarcação descontinuada das terras a fim de abrir espaço para a agropecuária e para a ocupação do Exército, o que melhoraria o controle das regiões de fronteira com Guiana e Venezuela.  “Isso será uma ameaça à reprodução do grupo e inibirá o trânsito dos índios, além de facilitar o contato indesejado com não-índios”, declarou Oliveira.

O antropólogo alertou que uma nova demarcação da reserva poderá provocar descrédito sobre as decisões do Estado brasileiro.  “Temo que simbolize uma falta de segurança nas decisões tomadas pelo Estado”, advertiu.  Ele refutou, ainda, a tese de que reservas indígenas em áreas de fronteira representam uma ameaça à segurança nacional.  “Os mesmos índios que no início do século passado foram acionados para defender o território brasileiro agora são vistos como uma ameaça à integridade e manutenção do território, o que configura um desrespeito à história deles”, comentou.

 

Javari registra 19 mortes de índios em seis meses

Fonte: A Crítica
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Antonio Ximenes

Nos primeiros seis meses do ano morreram 19 indígenas no Vale do Javari.  A mortalidade atinge, preferencialmente, as crianças.  Mesmo com a realização de uma força-tarefa das forças armadas e da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) na reserva – de maio a junho -, a saúde da população local continua fragilizada.

Uma comitiva liderada pelo superintendente interino da Funasa do Amazonas, Narciso Barbosa, vai conversar hoje com as lideranças rebeladas que ocupam a sede do escritório da instituição, na cidade de Atalaia do Norte.

“Não dá para ficar esperando que morra mais gente do nosso povo.  Se não forem dadas as condições para salvar as nossas crianças não sairemos daqui da Funasa”, disse Jorge Marubo, presidente do Conselho de Saúde Indígena do Vale do Javari.

Narciso Barbosa, de sua parte, apresenta uma proposta de renovação da gestão do Distrito Sanitário Especial Indígena (Disei/Javari), onde as decisões seriam tomadas por meio de um colegiado constituído pelas lideranças indígenas e pelo novo administrador da área.

“Inicialmente, temos R$ 700 mil para a saúde da reserva.  Mas esses recursos podem aumentar porque temos que tratar dos pacientes doentes com hepatite B e D, que serão atendidos em Tabatinga.  Eles usam medicamentos caros, de mais de R$ 600 cada dose, e têm que ficar, no mínimo, um ano internados com acompanhamento médico intensivo”, comentou Barbosa.

As mortes na reserva aconteceram por diversas causas, dentre elas: desidratação; malária; pneumonia; parada cardiorrespiratória; anomalia congênita; infecção do soro amiótico; choque séptico; insuficiência renal; diarréia aguda; insuficiência respiratória; e dois suicídios.  Desatar o nó da insatisfação coletiva dos índios do Vale do Javari em relação à Funasa e o Governo Federal, como um todo, é uma tarefa complexa.

 

Presidente Lula anuncia homologação da Terra Indígena Baú

Fonte: Radiobrás
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Marco Antônio Soalheiro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou a homologação da Terra Indígena Baú, área de 1,54 milhão de hectares nas proximidades de Altamira, no Pará, informou hoje (19) a assessoria de imprensa da Fundação Nacional do Índio (Funai).

Lula participa, neste momento, da reunião da Comissão Nacional de Política Indigenista (CNPI) com líderes de comunidades indígenas, no Ministério da Justiça.  Também estão presentes ao encontro representantes de 16 ministérios.

O processo de demarcação da Terra Indígena Baú, reivindicada pela etnia Kayapó, teve início em 1994, segundo a Funai.  Mas, devido à presença de posseiros e madeireiros na região, o orgão só conseguiu concluir os trabalhados técnicos em 2003.

Para o presidente da Funai, Márcio Meira, “a homologação significa 1,5 milhão de hectares de floresta Amazônica protegidos na Terra do Meio que é uma das áreas mais ameaçadas no bioma brasileiro”.

A conclusão dos processos de demarcação de terras ainda pendentes é uma das principais reivindicações que as comunidades indígenas prometem apresentar ao presidente da República.

 

Marcas Technorati:

"Nós não vamos mais sair", promete líder indígena da Raposa Serra do Sol

Fonte: Agência Brasil de Fato
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Macuxi Dionito de Souza denuncia a violência de latifundiários e reclama da incompetência do governo

Jonathan Constantino e Vanessa Ramos

AFIRMAÇÕES COMO “as terras indígenas representam um risco à soberania nacional”, “é muita terra para pouco índio” ou, ainda, “as terras indígenas tornam inviável o desenvolvimento do Estado de Roraima!” são, na verdade, falácias.  Essa foi a tônica dos seminários “A questão indígena no Brasil a partir da Serra do Sol – Roraima”, realizado no dia 29 de maio, e “Raposa Serra do Sol: um desafio à teologia”, ocorrido um dia depois, também em São Paulo (SP).  O primeiro evento contou com a presença de Dionito José de Souza, coordenador do Conselho Indígena de Roraima (CIR), de dom Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo, Lúcia Helena Rangel, antropóloga da PUC-SP, e do padre Lírio Girardi, do Instituto Missões Consolata.  Com exceção de dom Odilo, os demais participaram do seminário do dia 30, que teve ainda a participação do teólogo Paulo Suess.  Na tarde do dia 30, após o evento, o macuxi Dionito de Souza concedeu ao Brasil de Fato a entrevista que segue.

Brasil de Fato – O que aconteceu exatamente no dia 5 de maio na Terra Indígena Raposa Serra do Sol (TIRSS)?  Dionito José de Souza – A base da Polícia Federal (PF) se encontrava lá na Vila Surumu, em Pacaraima (RR), e também na reserva São Marcos.  O pessoal da aldeia saiu cedo para começar a fazer as casas, porque nós entendemos que está ocorrendo apenas a suspensão da retirada dos não-índios, mas a terra ali é toda dos indígenas.  Então, fomos para lá, porque não tinha revogado nada de decreto.  E quando todos chegaram para fazer esse trabalho foram surpreendidos pelos pistoleiros do Paulo César Quartiero (presidente da Associação dos Rizicultores de Roraima e prefeito de Pacaraima-DEM), que atiraram nas pessoas, com bombas caseiras e tiros de espingarda.  Não sei se a polícia estava passando por ali ou se estava na base deles, a uns 6 quilômetros.  O que aconteceu foi que a polícia chegou depois e socorreu as pessoas atingidas (ao todo, dez indígenas foram baleados).

Fale da PF e dos homens do Paulo César.
A PF sabia que os homens do Paulo César andavam armados antes do que ocorreu no dia 5 de maio.  Nossos próprios parentes viam os pistoleiros armados.  Andavam com espingarda nas costas; na assembléia- geral dos tuxauas (caciques) eles soltaram uma bomba caseira.  Mas a PF não conseguiu ter autorização do juiz para fazer o desarmamento.  Eles queriam flagrar, mas quando os capangas viam a polícia, não mostravam as armas, ficavam escondidos.  Foi quando aconteceu isso, no dia 5 de maio.  Segundo a polícia, quando ela chegou lá, eles foram embora.  Se fosse um indígena, eles tinham ido atrás.  Do local do incidente, há livre acesso de carro até a fazenda.  Poderiam pegar os sujeitos, desarmá-los e prendê-los.  Mas, “não, vamos esperar a lei, a justiça que manda”, “eu não posso fazer isso”, alegam.  Mas aconteceu tudo isso, não flagraram nem nada, esperando a decisão da justiça.  Depois prenderam, mas já estão todos soltos (Quartiero foi para a cadeia no dia 6 e libertado no dia 15), então não adiantou nada.  Não adianta ter uma lei e uma polícia aqui que não reage.  Assim não funciona.

E como vocês conseguiram registrar o ocorrido?
A polícia já estava na área, não no momento exato, mas nós temos câmeras fotográficas e filmadoras, e existe entre nós quem já esteja aprendendo a fazer esses registros (filhos, primos e irmãos).  Esses materiais nós continuamos tendo, compramos câmeras e também ganhamos em prêmios e no projeto da PDPI (Programa Demonstrativo dos Povos Indígenas, do Ministério do Meio Ambiente).  E agora nós estamos registrando diariamente os acontecimentos e o nosso trabalho.  Temos nossas assembléias, encontros, reuniões de mulheres e de professores e a gente grava tudo.  Possuímos cinco câmeras que são digitais e, nesse momento, pelo menos, seis meninos aprendendo a trabalhar com isso.  Claro que ainda não são profissionais, estão começando.

A extensão da Raposa Serra do Sol é de 1,67 milhões de hectares, determinados em 1993 e homologados em 2005.  Quando os arrozeiros iniciaram as ofensivas contra a população indígena da TIRSS com agressões e outras manifestações de violência? 
A partir de 2002.  Primeiramente, quando você se baseia na lei, acaba, como eu vi numa entrevista hoje, falando a verdade e seguindo a verdade.  Só que eu acho que essas coisas aconteceram porque toda a conversa do governo, da Funai (Fundação Nacional do Índio) e da própria Polícia Federal (PF) pedia “vamos nos manter calmos”, enquanto as coisas estavam crescendo lá dentro.  E os arrozeiros foram trabalhando.  Ninguém entendia, pois o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente) não fazia nada em relação à degradação do meio ambiente.  Todos esgotaram sua paciência, pois eles [arrozeiros] foram crescendo com suas criações, e nós aguardando com paciência.  Mas eles cresceram porque a justiça falhou.  Então, quando começamos a reagir, há dois ou três anos, após terem se passado o primeiro ano em que os arrozeiros deveriam sair voluntariamente, de acordo com o decreto da homologação, iniciaram-se as reações por parte deles.

Como vocês começaram a reivindicação pela retirada dos arrozeiros?
Quando eu cheguei na coordenação do CIR, comecei a dizer o seguinte: “Olha, ou nós temos lei, e essa lei funciona, ou então agora nós teremos que fazer alguma coisa para que eles respeitem a lei!”.  Então, começamos a trabalhar aos poucos, conversando com as comunidades e nos mobilizando.  Começamos a cobrar, indo para Brasília, e o governo federal determinou que eles (arrozeiros) deveriam se retirar.  Agora, quando a polícia veio para retirá-los, teve a suspensão da operação.  E eles continuam lá.  O problema que vem acontecendo, essa violência, não é de agora, por causa da homologação, mas por causa das terras indígenas.  Desde que entraram os invasores na TIRSS, vieram para matar os indígenas, seja com bombons envenenados, com bombas e outras formas.  Nunca mais tivemos sossego.

Então a violência sofrida por vocês não é de hoje?
Não.  No passado, nós tivemos problemas graves com um fazendeiro chamado Jair.  Ele possuía mais de 75 km de terra e ocupava a TIRSS com a fazenda dele.  Ele prendia muita gente, tocava fogo nas nossas casas e nós sofríamos com isso.  O jagunço dele matava as pessoas.  Mas ele saiu da Raposa Serra do Sol e já morreu.  Depois, chegou o Paulo César, que tem dado continuidade a esse massacre aos povos indígenas.  Então, não é de agora que sofremos com isso, pois, no passado, até a própria Funai ateava fogo nas casas de palha dos índios.  Nós reagimos e começamos a trabalhar sério contra essas ações, denunciando, inclusive, internacionalmente.  Eles [Funai] não gostavam, “porque vocês não denunciam para o governo brasileiro?”, perguntavam.  Nós temos denúncias em vários lugares do Brasil, nas organizações indígenas que existem para tomar providências em relação a essas coisas que acontecem nas terras indígenas, mas como não eram ouvidas, nós denunciamos lá fora, na ONU [Organização das Nações Unidas], na OEA [Organização dos Estados Americanos], e eles ficaram com medo.

O que a mídia deveria divulgar, verdadeiramente, para a população brasileira?
O mais importante é reconhecer que há pessoas de má vontade ou que têm o plano de matar os índios.  Isso é muito complicado aqui no Brasil.  Por exemplo, você vê o Paulo César.  Um cara que joga bombas, destrói as pontes, espalha mentira na mídia, leva pistoleiros e desafia a própria polícia, na cara dela, esculhamba.  A polícia vê as bombas e não consegue prender, não consegue dominar uma pessoa.  Quer dizer, onde está nossa justiça?

Sobre essa questão da soberania, a mídia tem falado bastante sobre o argumento de que a demarcação em área contínua é um risco.  Como você vê isso?
Bom, não existe risco de soberania.  Tem muitas terras indígenas registradas e homologadas em faixa de fronteira, por exemplo, a terra ianomâmi é logo aqui em São Marcos, no Amazonas.  Não acaba o Brasil, não diminuiu o país.  Continuou como terra brasileira e vai continuar assim.  É terra indígena, com reconhecimento do governo federal.  Essas terras são da União e a União somos nós.  Além disso, a PF falou para mim que eles [arrozeiros] pretendiam decretar o Estado de Roraima autônomo.  Aí sim eu vejo um risco para soberania nacional, aí sim vai chover de estrangeiros.

Como seria garantida a segurança da fronteira? 
Nós somos “povo brasileiro” e não nos sentimos isolados ou que o país vá correr algum risco.  A questão é que tem de se manter a ordem e, nesse caso, nós temos o exército, a polícia, nós temos a lei, a nossa Constituição Federal, temos um governo que tem que tomar conta.  Não se pode dizer que a TIRSS representa um grande risco.  Mas, se o exército não tem plano para isso, é claro que há um risco.  Agora, é claro, tem que botar ordem na casa.  Estamos aí para ajudar até na fiscalização, na vigilância da nossa terra, porque, como nós sabemos, no passado, foram os indígenas quem seguraram Roraima como território brasileiro.

E a respeito dos argumentos que dizem que a Raposa Serra do Sol afetará a economia de Roraima?
Pois é, nós temos um Estado que é muito rico em terra.  Se você plantar, todas as terras ali são produtivas, e nessa parte de economia do Estado, não vamos interferir, não vamos atrasá-lo e nem empobrecê-lo.  Agora, o que está acontecendo é que ele [invasor] está perdendo tempo, Já poderia estar se instalando e montando uma equipe de trabalho para dar continuidade em sua produção de arroz.

Quais as outras agressões que vocês têm sofrido na TIRSS?
Falando nisso, foram soterrados os lagos que dão muito peixe ali.  Lá é um “baixão” muito bom e, no inverno, no tempo de chuva, ele enche de água e forma lagos que dão muito peixe.  Só que destruíram as matas ciliares, ficou ruim, não tem peixe, os lagos foram todos soterrados.  Há as comunidades do Javali e toda essa região é banhada pelos rios Cotingo e Surumu, e existem várias comunidades ao longo, mesmo perto desses rios, que sofrem na pesca, sofrem nos igarapés, pois quando jogam agrotóxicos, as crianças ficam tudo com dermatite.  E ainda vem o arrozeiro e joga veneno com avião por cima das aldeias, sacaneando mesmo.

E como você vê essas situações?
São situações em que, além do sujeito usar e abusar, quer fazer mais.  A gente não consegue conviver com uma coisa dessas, não aceita e temos que ter respeito à nossa Constituição.  Se há uma lei dando garantia de defendermos os nossos costumes, os nossos direitos, acho que tem que ser defendido, não deixar que qualquer pessoa venha fazer coisas erradas ou desafiar uma lei, afrontar a todo nosso país.

A mídia corporativa faz estardalhaços e tem divulgado que há grupos indígenas a favor dos arrozeiros e contra a demarcação em área contínua, que eles vão passar fome sem o arroz dos arrozeiros.  É verdade?
Bem, eu ainda não pensei como é que eu vou processar os mentirosos e as pessoas que ficam manipulando os indígenas a falar essas coisas, porque não existe nenhum indígena que, como os arrozeiros, tenha grandes estoques de arroz.  Que possa dizer, por exemplo, “está aqui meu arroz, consegui através do invasor aqui, por isso que eu quero que eles fiquem”.  Não tem isso.  Eles são usados, comprados com churrasquinho, R$ 10… Não tem como dizer que os indígenas defendem os arrozeiros, eles são pagos, manipulados para falar isso e acabam dizendo com se fosse verdade.

Depois que aconteceu o incidente do dia 5, quais são as expectativas da população indígena da Raposa Serra do Sol em relação à homologação? Vocês estão organizando alguma mobilização interna?
Nossa mobilização existe desde que eles suspenderam a operação de retirada dos não-índios.  Não parou mais.  Nós estamos fazendo uma nova aldeia no lugar do incidente e colocamos o nome dela de “Dez Irmãos”.  Eles vão continuar morando ali, fazendo a aldeia para ficar permanentemente.  Nós temos chegado até com mil pessoas lá e revezamos.  Uns vão embora e outros vêm, porque são 19 mil indígenas e, portanto, não tem como nos cansar.  Estamos trabalhando nas roças, plantando nossas coisas nas aldeias, mas paramos e vamos dar apoio, em solidariedades aos que foram baleados.  Existe todo esse movimento que nós estamos acompanhando e que vai ser acompanhado até o final, até o dia do julgamento que, sendo a favor ou não, nós não vamos mais sair.

Quem é
Do povo macuxi, pertencente à aldeia Maturuca e residente da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, Dionito José de Souza é coordenador do Conselho Indígena de Roraima (CIR).  Ele já atuou como segundo tuxaua (semelhante a cacique), coordenador regional dos agentes de saúde, membro da Comissão Pós-Conferência Nacional dos Povos Indígenas, membro do Conselho do Distrito Sanitário Leste de Saúde e, atualmente, colabora também como agente de saúde.

Funai tem baixa efetividade na demarcação de terras indígenas, diz TCU

Fonte: Amazonia.org.br
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De acordo com o relatório do tribunal, a centralização excessiva das ações na sede da fundação é uma das principais causas do problema

Aldrey Riechel

Em 1988 o artigo 67 dos Atos das Disposições Constitucionais Transitórias determinou um prazo de cinco anos para a conclusão da demarcação das terras indígenas no Brasil.  Contudo, vinte anos depois, muitos processos sobre a questão ainda não foram concluídos.  Este é um dos exemplos que mostram a baixa efetividade da Fundação Nacional do Índio (Funai), constatada pelo relatório do Tribunal de Contas da União (TCU).

Segundo o documento, em dezembro de 2007, ainda havia 190 terras indígenas em processo de demarcação em todo o país.  Apesar de já ter demarcado o equivalente a 70% do total das 418 áreas, o relatório aponta como dificuldade do órgão uma centralização excessiva das ações na sede da instituição.  Ele descreve que “a autorização para o início do processo de demarcação depende da unidade central, que sofre a carência de servidores especializados nos temas indígenas (indigenista, antropólogos), bem como falta de concurso público para renovação do quadro”.

Jecinaldo Saterê Mawé, coordenador da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) aponta que o órgão conseguiu ter alguns avanços no processo de demarcação de terras indígenas no Brasil, porém ainda não é suficiente para a regulamentação de uma forma efetiva.  “Creio que a Funai é um órgão muito desaparelhado e mal estruturado para atender a demanda atual dos povos indígenas, ela tem que começar a mudar a partir da própria filosofia”.

Segundo ele, a fundação ainda interage baseando-se em uma filosofia do antigo Serviço de Proteção do Índio (SPI) que possuía uma ideologia integracionalista e assistencialista.  “A Funai precisa virar essa página de tutela”, afirma Jecinaldo, que diz também que diante da política de ‘comunhão nacional’ aconteceu um processo inverso, “os índios resistiram, mantiveram a sua cultura e agora precisam de políticas especificas”.  Para ele a Funai não acompanhou essas mudanças.

O líder indígena entende o processo de demarcação como algo muito mais complexo do que assinar a homologação.  “Demarcar terra no papel é uma coisa, fiscalizar é outra coisa e para completar ainda tem a sustentabilidade dos povos indígenas, exatamente o ponto que o governo bate cabeça (sic).  A Funai não consegue coordenar uma política de economia de sustentabilidade para os territórios”.

Outra evidência apresentada no relatório diz respeito ao não cumprimento das metas do Plano Nacional de Combate ao Desmatamento.  A ação prevista era a homologação e a extrusão de terceiros ocupantes, no período de 2004 e 2006, de sete terras indígenas situadas no Arco do Povoamento Adensado e na área próxima à BR 163.  No total apenas duas reservas foram homologadas e até o momento não houve retirada dos ocupantes.

Orçamento
Nos estados do Acre, Amazonas, Amapá, Roraima, Rondônia e Pará estão localizados 62% das terras indígenas do Brasil, cujas áreas somadas equivalem a 98% do total nacional.  No entanto, os recursos para fiscalização recebidos por essas unidades regionais da Funai vêm sendo reduzidos nos último tempos.

O documento aponta que, embora a maioria das Tis esteja na Amazônia, em média, 35% dos recursos financeiros para os Estados pesquisados foram descentralizados.

Saúde Indígena
Avaliar também os aspectos relacionados a saúde indígena é outra questão importante considerada pelo TCU.  Segundo seu relatório, “falta melhoria qualitativa na saúde dos índios da Amazônia na mesma proporção que a média nacional”. Os casos de malária que afetam as populações da Amazônia Legal cresceu 167%.  Segundo a Fundação Nacional da Saúde (Funasa) não há registros de malária em outras regiões do País.

Verifica-se que os casos de malária afetando as populações indígenas na Amazônia são crescentes no período analisado.  Nos Estados do AC, AM, AP, PA RO, RR o aumento foi de 148% (60,43 a 149,68) e na Amazônia Legal, de 167% (47,38 a 126,53).  Pelas informações da Fundação Nacional da Saúde (Funasa) não há registros de malária em outras regiões do País.

Em contrapartida, houve uma redução de 40% nos últimos três anos com relação aos casos de mortalidade indígena no Brasil.  Nos Estados do Acre, Amazonas, Amapá, Rondônia e Roraima essa diminuição foi de 35% e na Amazônia Legal, de 32%.

A Auditoria
O relatório foi realizado baseando-se em uma auditoria com os responsáveis pelas questões estruturais da Amazônia com o objetivo de avaliar a gestão governamental, considerando as principais ações desenvolvidas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Funai, Funasa, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Instituto Chico Mendes de Biodiversidade – ICMBio, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) e Museu Paraense Emílio Goeldi.

 

Índios entregam relatório de desmatamento ao presidente Lula

Fonte: Amazonia.org.br
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Bruno Calixto

Lideranças indígenas de Rondônia vão entregar hoje (19) o relatório “O Fim da Floresta” ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro da justiça Tarso Genro, em reunião da Comissão Nacional de Política Indigenista (CNPI), que acontece em Brasília às 16h30.  É a primeira vez que o presidente Lula participa de uma reunião da CNPI, em que serão apresentadas as principais reivindicações das comunidades indígenas.

O relatório foi produzido pelo Grupo de Trabalho Amazônico (GTA) de Rondônia e aponta as principais causas do desmatamento no estado e traz dados sobre a grilagem e a retirada de madeira ilegal de terras indígenas, reservas e unidades de conservação.

O líder Almir Suruí, da Terra indígena Sete de Setembro, uma das regiões tratadas no estudo, entregará o relatório ao presidente.  Ontem (18), Suruí entregou uma cópia para o ministro do meio ambiente Carlos Minc no lançamento da Plataforma Socioambiental Brasil 2008, do Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (FBOMS).  O ministro Extraordinário de Assuntos Estratégicos Roberto Mangabeira Unger também recebeu uma cópia do relatório no último sábado (15), em Rondônia.

Fim da floresta?  O estudo “O Fim da floresta?  A devastação das Unidades de Conservação e Terras Indígenas no Estado de Rondônia” mostra que o atual modelo econômico de ocupação e uso dos recursos naturais é um dos principais fatores que causam o aumento do desmatamento no estado.  O estudo aponta a persistência de padrões predatórios de extração de madeira, além da concentração fundiária, como fatores que intensificam o processo de degradação em terras indígenas e unidades de conservação.

O estado de Rondônia é um dos que mais desmatam na Amazônia Legal.  Até o ano de 2007, quase 9 milhões de hectares foram desmatados, o que representa 44% da área originalmente coberta por florestas.  Segundo o documento, expectativas econômicas geradas por empreendimentos como as usinas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, no rio Madeira, e a pavimentação da BR-319, têm contribuído para a intensificação do desmatamento.

O relatório acusa também as precárias condições das Unidades de Conservação (UC) e das Terras Indígenas (TI), além da incoerência nas políticas públicas para a Amazônia.  Entre as ações para conter o desmatamento, propõe uma agenda emergencial para promover a imediata desintrusão das Ucs e Tis, o aprimoramento dos mecanismos legais e a criação de um fundo estadual para financiar ações de implementação e manutenção de áreas protegidas a longo prazo.

O estudo será apresentado à frente parlamentar ambientalista em um café da manhã, no Congresso, no próximo dia 25 de junho.

Acre e Funai preparam acordo para proteger índios isolados

Fonte: Página 20
Link: http://www.pagina20.com.br/

Informação foi do dirigente da Funai à deputada Perpétua Almeida

O presidente da Fundação Nacional do Índio, Márcio Meira, e o governador Binho Marques assinarão acordo de cooperação destinado a desenvolver projetos específicos para proteger os índios isolados que vivem no Acre.  A informação foi dada pelo dirigente da Funai à deputada Perpétua Almeida, durante audiência ocorrida na manhã desta terça-feira.

A solenidade deve acontecer durante uma exposição fotográfica prevista para os dias 20 e 25 de julho em Rio Branco, sobre a cultura predominante das 24 etnias conhecidas no estado.  No entanto, o foco da exposição será a histórica e as curiosidades dos quatro grupos indígenas isolados que se tem notícia no território acreano.  A deputada defende uma campanha informativa dirigida aos povos brancos, reforçando a necessidade de que estes índios sejam mantidos onde estão.  “As terras estão demarcadas e isso é um grande avanço”, disse a deputada, que sugeriu intensificar o monitoramento nas fronteiras para conter a invasão de estrangeiros nas reservas protegidas por lei.

Outro apelo feito ontem pela deputada à Funai está contemplado no acordo de cooperação: ampliar a estrutura de apoio das bases do Alto Envira e do Rio Douro (Jordão).  O secretário dos Povos Indígenas do Acre, Francisco Pinhanta, que trabalha na minuta do acordo, irá sugerir a criação de uma terceira base, em Santa Rosa do Purus.  Pelo acordo, o Governo do Acre custearia as despesas com a instalação a física.  A Funai, por sua vez, apresentaria soluções para a contratação de funcionários especializados.

Márcio Meira, que duplicou o orçamento da Funai nos 14 meses como presidente do órgão, alegou dificuldades financeiras para contratar pessoal.  Ele informou que depende da rubrica específica para este fim, e o problema seria resolvido com a aprovação de uma lei que chegou no final do mês passado no Congresso, com pedido de urgência, para criar novos cargos para a Funai.  Perpétua Almeida mobilizou sua assessoria técnica e irá propor que o projeto seja votado dentro do prazo de urgência, que acaba no início de julho.

O secretário Pianta disse que o acordo prevê a criação de Internet nas bases já existentes.  A comunicação, segundo ele, também precisa ser reforçada com um alcance maior da freqüência de rádio que serve hoje a Funai nestas localidades.  Para ele, a divulgação de imagens dos índios isolados, dias atrás, “só representou uma descoberta para o público externo.  Há anos nós trabalhamos em políticas públicas para protegê-los.  Neste momento, o que queremos é chamar o estado a colaborar ainda mais com este propósito”, disse.

 

Marcas Technorati: ,,

Índios Terena acusam Polícia Militar de Mato Grosso do Sul de agressão

Índios da tribo Terena acusam a Polícia Militar do Mato Grosso do Sul de agredi-los durante uma ação de despejo em uma aldeia em Miranda, a 230 quilômetros de Campo Grande (MS). Na operação, realizada por volta das 5h30 de terça-feira (17), PMs teriam queimado alimentos e barracos.
Cerca de 700 pessoas estavam no local no momento da agressão. “A polícia chegou e já partiu para a agressão. Não teve diálogo. Algumas mulheres idosas que estavam acordadas foram empurradas (pelos PMs)”, relatou Marcos Terena, líder da tribo.  Segundo ele,  os policiais militares queimaram  barracos, cobertas e alimentos. “Tínhamos uma reserva de alimentos, eles queimaram tudo. Temos provas dentro da aldeia, há marcas de balas num pé de manga.”
Ainda de acordo com Marcos Terena,  a polícia não tinha nenhum documento autorizando o despejo. “Eles não trouxeram nenhum mandado de reintegração.”
A área onde os índios estavam havia sido transformada em uma fazenda. A tribo conseguiu retomar parte do território, mas a Justiça de Miranda concedeu liminar ao pedido de reintegração de posse, garantindo à propriedade aos fazendeiros.
No entanto, segundo a assessoria jurídica do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), a decisão é nula, porque compete a Justiça Federal julgar causas que envolvam direitos dos índios. “Esperamos que alguém tome providência, faça justiça, porque isso não é legal”, disse Marcos Terena “Será que eles pensam que somos animais para nos tratar dessa forma?”
A PM do Mato Grosso do Sul garante que estava com o pedido de reintegração de posse quando realizou a operação, acompanhada por um oficial de justiça. “ Quando chegaram (à aldeia), os policiais disseram aos índios que eles precisavam se sair das terras. Então, eles ameaçaram os nossos homens com flechas”, afirmou o major Rogéio Silva.
Para se defender, acrescentou o majos, os PMs atiraram balas de borrachas nos índios”. Segundo o oficial da PM do Mato Grosso do Sul, os índios teriam atacado os policiais e as viaturas. “Três policias foram agredidos, viaturas foram danificadas. Vamos abrir um inquérito para apurar o caso.” (Fonte: Radiobrás)

Indígenas da Raposa Serra do Sol buscam apoio internacional

Os líderes indígenas da terra indígena Raposa Serra do Sol (Roraima), Jacir Macuxí e Pierlânga Wapixana, começam, amanhã (18) na Espanha, a campanha “Anna Pata, Anna Yan” (Nossa Terra, Nossa Mãe), que busca receber apoios em sua luta pela proteção de suas terras na selva amazônica e a detenção da violência exercida contra eles.

A primeira parada será na Casa de América, a partir das 11h. Macuxí denuncia a violência contra seu povo, que é cometida pelos produtores de arroz, que invadiram as terras indígenas. Violência que se intensificou nas últimas semanas, com a queima de dezenas de casas e duas escolas indígenas.

Os indígenas apresentarão sua causa à vice-presidência do Governo e à Comisão de Cooperação do Congresso de Deputados. Além disso, devem entregar à embaixada brasileira na Espanha uma carta de apoio, assinada por: Cáritas, Entreculturas, Manos Unidas, Survival International e Uyamaa.

Para Luis Ventura, representante da campanha “Anna Pata, Anna Yan” na Espanha, “essa é uma batalha crucial para os indígenas brasileiros. Se os arrozeiros e os políticos conseguem o roubo da Raposa Serra do Sol, indígenas de todo Brasil poderiam ver como a eles também lhes roubam suas terras. Não podemos permitir que isso aconteça”.

 

Fome e diarréia matam índios em aldeias da Amazônia

Fonte: Agência Amazônia
Link: http://www.agenciaamazonia.com.br/

Montezuma Cruz
Chico Araújo

Relatórios do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), da Funai, de organizações não-governamentais de apoio ao índio, checados com a Funasa, revelaram que no Estado do Tocantins morreram, em cinco meses, 15 crianças Apinajé, vítimas de diarréia, vômito, gripe e febre.  Em Mato Grosso do Sul a desnutrição matou dezenas de crianças Guarani-Kaiowá.  No Pará morreram de infecção intestinal sete crianças Munduruku.  No Amazonas, as organizações indígenas queixaram-se do descaso nos serviços de saúde e o alastramento de doenças infectocontagiosas.

Entre os Ianomâmi, em Roraima, os índices de malária voltam com intensidade, por causa do abandono nas ações preventivas em saúde, especificamente nos serviços para o combate ao mosquito transmissor da doença.  No Acre, 10 crianças Kaxinauá) morreram em conseqüência da diarréia.  Nos estados do Sudeste e do Sul ocorreram dezenas de casos de desnutrição em crianças Guarani e Kaingang, com de mortes em aldeias localizadas em pequenas áreas de terras devastadas pela colonização.

No Maranhão, 14 crianças da aldeia Bananal morreram em 2005 e em janeiro de 2006 ocorreram mais seis mortes por diarréia e desnutrição na região de Barra do Corda.  Ainda segundo o Cimi, em Rondônia, a ausência de uma intervenção consistente.

O drama dos Xavante
“Em Mato Grosso o governo assistiu passivamente a morte de crianças Xavante, da Terra Indígena Marawatsede”, denuncia o Cimi.  Segundo o órgão, essa área, já demarcada e homologada, continua fora do domínio do povo Xavante, já que foi invadida por fazendeiros da região.

No por parte da Funasa causou o alastramento de doenças infecto-contagiosas, a exemplo das hepatites tipos B e C. Três crianças Oro Wari, da aldeia Lage Velho, Terra Indígena Lage, em Guajará-Mirim, morreram por epidemias de gripe, diarréias e surtos de malária.

O pico ocorreu entre dezembro de 2006 e a primeira quinzena de janeiro de 2007.  O Hospital Bom Pastor, em Guajará-Mirim, internou 42 crianças entre 1 e 20 de janeiro do ano passado, a maioria com diarréia e sintomas de desidratação.  Essas crianças vinham de Lage Velho, aldeia com 250 índios.

Em dezembro de 2007 totalizaram 39 internações, número alto para o universo de 4 mil atendimentos realizado pelo pólo base de Guajará-Mirim.  A aldeia Lage Velho fica a apenas 36 quilômetros da cidade e tem fácil acesso.  No entanto, conforme o Cimi, é uma das menos assistidas e não tem acompanhamento de profissionais de enfermagem da Funasa.

Sucateamento geral
Mesmo nos estados em que os povos indígenas se encontram articulados e suas organizações têm tido maior controle social sobre a assistência na área de saúde ocorre total sucateamento dos equipamentos médicos e dos veículos que atendem as comunidades.  Em diversas localidades, funcionários são obrigados a cruzar os braços devido ao atraso no pagamento de seus salários, a exemplo do que ocorre no Distrito Sanitário Ianomâmi.