Responsável pela atenção básica à saúde indígena desde final de 1999 e com o desafio de reduzir o alto índice de mortalidade infantil nas aldeias de Mato Grosso do Sul, onde para cada mil crianças nascidas vivas 140 morriam antes de completar um ano de vida (dados IBGE), a Coordenação Regional da Funasa/MS (Core/MS) atingiu resultados positivos com a diminuição significativa da morte de crianças indígenas nas 72 aldeias do estado.O último levantamento registrado pelo Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) aponta que nos quatro primeiros meses de 2008 a proporção de mortes infantis caiu para 31 por mil nascidos vivos.No período de 2000 a 2006 houve queda anual (média) de 14,7% no Coeficiente de Mortalidade Infantil, observando-se que até 2003, os índices tiveram uma progressiva diminuição. Já em 2004, devido a mudanças no modelo de gestão, ocorreu aumento da morte de crianças, sendo observado, naquele período, a necessidade de reavaliação das ações.Em 2006, como tentativa de recuperar retrocessos dos anos anteriores, foi implantado controle na gestão técnica e administrativa, que permitiu obter uma nova queda nos indicadores. De uma maneira geral, percebe-se um declínio nos componentes da mortalidade infantil no Estado.O coeficiente de 2007 fechou em 42.68, no entanto morreram menos crianças em comparação com o ano anterior. A justificativa para a diferença entre 2006 (38) e 2007 (40) é porque houve queda da taxa de natalidade que automaticamente interfere no cálculo do coeficiente. Em 2006 o índice de natalidade foi de 40,54/1000 hab, e em 2007 foi para 32,62/1000 hab, sendo em números absolutos uma diferença de 373 nascidos vivos.Para ajudar no controle das causas de mortalidade infantil nos anos de 2005 a 2007 foram analisados e condensados em um dossiê elaborado pela equipe técnica do Dsei/MS. O objetivo é realizar análise retrospectiva dos óbitos e com isso planejar melhores ações para os anos subseqüentes.
O controle dos casos de mortalidade infantil é realizado quinzenalmente através de quantitativo de óbitos menores de um ano e nascidos vivos, assim como, dos relatórios que contém a ficha de investigação do óbito produzida pelas Equipes Multidisciplinares de Saúde.
A mortalidade infantil passou a ser monitorada não só entre as crianças menores de um ano, mas até aos cinco anos. Com isso a atenção foi redobrada no Programa de Saúde da Mulher, Gravidez na adolescência e na criação de hábito para realização de exames preventivos e explicações detalhadas sobre planejamento familiar.
Segundo o coordenador regional, Flávio da Costa Britto Neto, essa alteração positiva nos índices é conseqüência do trabalho das Equipes Multidisciplinares de Saúde. “Toda nossa equipe tem contribuído para o gradativo aumento da cobertura vacinal em todas as faixas etárias, a melhoria das condições de saneamento básico, situação nutricional, assim como, investimentos em equipamentos e infra-estrutura em saúde e principalmente organização dos serviços prestados”, ressaltou Britto.
Ações que contribuem para redução do Índice de Mortalidade Infantil.
Atualmente, a prevalência das mortes em nível de Coordenação Regional/Distrito Sanitário Indígena de MS são as que ocorrem no período perinatal (que englobam os óbitos de crianças de 0 a 6 dias e natimortos) e que exigem ações voltadas ao aperfeiçoamento da assistência ao pré-natal, estando diretamente relacionado à organização do Programa de Atenção Integral à Saúde da Mulher Indígena (PAISMI).
Em 2007 o Centrinho em Dourados recebeu 35 crianças, vindas de diferentes aldeias da região Sul do Estado. O trabalho visa permanência temporária da criança e o retorno à sua origem após recuperação. Apesar de receberem toda infra-estrutura e tratamento para desnutrição, sempre acompanhados por um membro da família, a internação prolongada para a recuperação total tem gerado outro tipo de problema: a desagregação familiar. Na cultura indígena não se admite esse afastamento da criança, o que a deixa isolada da família no retorno ao lar. Para isso a Coordenação regional de Mato grosso do Sul implantou um Projeto Pioneiro no país chamado “Casa Dia”, nos municípios de Japorã e Amambaí. A “Casa Dia” tem o propósito de oferecer tratamento com estrutura médica, nutricional e lúdica para as crianças durante o período diurno e o retorno à aldeia ao anoitecer para evitar desagregação familiar. A equipe da Funasa busca as crianças de segunda à sexta-feira garantindo avaliação contínua e monitoramento da situação de cada criança em situação de risco por desnutrição. A proposta da Funasa/MS é ampliar gradativamente o projeto “Casa Dia” a todos os Pólos-Base.
Com o objetivo de complementar a resistência imunológica associada a fatores nutricionais, em 2005 o Programa de Vigilância Alimentar e Nutricional passou a iniciar a suplementação de Vitamina A para as crianças indígenas de 06 a 59 meses em todo Estado, pois reduz a mortalidade infantil relacionada às doenças principalmente pulmonares e gastrintestinais. No ano de 2007, na primeira etapa da suplementação de vitamina, foram atendidas 85,15% de crianças menores de 05 anos.
“Para cada um de nós que lida diariamente com a saúde indígena reduzir este índice é uma questão de honra, não queremos a morte de mais crianças e estamos trabalhando para que isso ocorra cada vez com menos freqüência”, destacou Britto.
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